RTP, LONGA MANUS DE QUEM MANDA
O que faz da RTP supremo poço sem fundo para onde se atiram ou onde se enterram largos recursos dos contribuintes? De que modo, no fundo, ela não é mais que o lupanar de influência e manipulação do Partido-que-esteja-no-Governo? Com variação de grau, tanto PS como PSD se prestaram a essa usura, mas nunca se havia descido tão baixo como nos anos Sócrates. O papel anódino a que a RTP se prestou durante a vigência do abjecto socratismo deveria chegar e bastar para o fecho liminar de portas e uma refundação da Rádio e Televisão Portuguesa. Graças a esse papel frouxo, servil, submisso e venal ao grande pressionador-telefonador, a verdade da economia transformou-se em anedota, o comentário avalizado e a crónica em língua de pau serventuária, a informação rigorosa e isenta em consecutiva procissão fúnebre. Graças a tal clima infecto, durante alguns anos socratistas pura e simplesmente esqueci que a RTP existia porque me semelhava coisa insuportável e abominável ao serviço da corrupção moral e da rapacidade legendária desse socratismo. Não valia nem um ou dois minutos da minha atenção. Agora que se procura resolver-lhe as mazelas, os prejuízos e as dívidas obscenas, andam todos com brios e ó-tio-ó-tio. Não há compaixão que se me evole do peito.
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